arcanjo

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eu venho pensando sobre expressão.
sobre falar, sobre expressar.
mais do que isso, sobre ser ouvida.
sobre dançar. e sobre escrever.
e sobre ouvir. sobre escutar.
sobre aquela poça pulsante precisando fluir.
sobre a vibração vibrando no vácuo até o infinito.
sobre o encontro preciso dos olhares,
demarcando o momento preciso do reencontro.
reencontro consigo. reencontro de’sigo.
o resgate do naufrágio próprio.
o náufrago que boia em espiral.
o vórtice. o self. o canal.
capitão de canoa.
remo de quinoa.
eu sou livre, eu sou livre, eu sou livre.

Nota

.tudo que existe ao mesmo tempo que eu.

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têm vezes que sim,
mas têm vezes que não.

se impor é justo?
é justo consigo? é justo contigo?
justo hoje que estou com o horário justo.

não digo que sim,
não digo que não.
não digo nada sem um aperto de mão.

se estreito o olhar, é porque pensa(o) que pode me machucar.
a magia de estreitar para que se possa focar.
o diafragma que expande para respirar.

tudo que existe ao mesmo tempo que eu.

a falta de ar.

cada situação difícil de acreditar.

a capacidade. vaidade;
sagacidade. vaidade;
superioridade. vaidade;
intelecto.

intelecto.
intelecto.
intelecto.
intelecto.
intelecto.

feto.
créc.
foto.
clic.

tudo vai e vai e vai e vai e vai…
se girar, gira, gira, gira, gira, gira, gira e girará.
contínua expansão.
o diafragma que expande para respirar.
a falta de ar.

contínua expressão.
o diafragma que expande para estreitar.
a falta de ar.

mingau de engodo sem enredo.
a distração de milhares por ter medo.
o gado que vai e vai e vai e vai e vai.
em círculos.
e gira e gira e gira e gira e gira e girará.

eterno loop codificado.
gigante móbile enfeitiçado.

belo desenho esse que fizeram na parede.

4h30

o ônibus que, a tarde, eu sempre pego vazio, estava lotado. na manhã fria, homens se cumprimentavam, todos em cinza, preto e azul marinho. acostumados com o percurso e com o horário, viajavam tristonhos, visivelmente desiludidos e massacrados pela rotina. a presença de minha calça florida era uma afronta. pelas ruas desertas, trabalhadores se arrastavam como sombras, indo para lugares em que nelas permaneceriam pelo resto do dia.

descobri que existe um momento em que a cidade se cala. um silêncio absoluto resvalado de motores que apenas seguem. descobri que existe um momento em que a cidade circula. “só para nos faróis mesmo”, sorriu o taxista. descobri que existe esse momento; em que a cidade é deles. só deles. um misto de tormento e orgulho. “vai pra casa, patricinha”, olhares me diziam, “essa cidade é nossa. a sua, só mais tarde.”

Um passo para trás

E vão-se os dias, passa o tempo. Pessoas entram e saem de minha vida. Passam por mim na rua, se tornam um grande amor, me vendem um sanduíche de almôndegas, recomendam que eu assista “Into the wild”, puxam assunto na van da ponte orca, me apresentam uma peça de teatro, esbarram em mim ou me pedem um trocado e se vão. Um ciclo em loop eterno.

Mais dia, menos dia eu sempre acabo na mesma situação. Com a sensação de espectadora. De ser alguém que faz parte de tudo, mas não faz parte de nada. Alguém que não se encaixa em nenhum grupo… ou que não quer se encaixar. Procuro não forçar situações e não me trair para manter amizades. Por isso, depois de algum tempo, muitas se vão.

E confesso que poucas fazem falta. Não por serem dispensáveis, embora algumas sejam, mas com o objetivo inconsciente de manter meus hábitos solitários. Minha natureza observadora. Gosto de sentar sozinha nos lugares e olhar. Olhar, olhar e observar e recolher comportamentos para análise.

Cabelos, sorrisos, posturas, gestos, posições, assuntos, fungadas, risadas, piscadas, suspiros, surpresas, olhares, brigas, reações, discussões, performances e exibições, roupas, amigos, grupos, sociedade. Tudo tem seu significado, nada é por acaso. Faz algum tempo que não consigo me desassociar deste estado. Se estou acordada, se estou com alguém, se estou na rua,  ouvindo ou olhando, conversando ou caminhando, estou observando.

E isso me faz distante, me tira da realidade, da interação. Ou será que ser distante me permite ser assim?

pra sempre?

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há uns bons anos atrás, um amigo me fez uma sábia pergunta que ficou marcada. eu namorava e ele me perguntou se eu queria me casar com o cara e ficar com ele pra sempre. eu, claro, hesitei e disse que não sabia. não é o tipo de pergunta simples de se responder. é preciso considerar todas as manias e brincadeiras que você não gosta, tudo que você espera e nunca recebe, tudo que você gosta que desagrada e todas essas coisas…

ele então me fez uma outra pergunta, essa que ficou marcada: “pra que ter um relacionamento se você não quer que ele dure pra sempre?”. aquilo soou como um soco no olho.

perguntei para mim, então por que estou namorando? naquele momento concordei com ele. pra que ficar com uma pessoa só se ela não é a que você quer ficar pela eternidade? no mundo de hoje, livre como é, pra que se prender, pra que se limitar se não for por um bom motivo?

fiz para ele, que também namorava, a mesma pergunta. ele me disse que sim, que tinha certeza que queria se casar com a namorada.

três anos depois, estava esse mesmo amigo, solteiro, me confessando um sonho erótico que tivera comigo. ele me poupou dos detalhes. mas o que fica é que, realmente, ele pode até ter razão, mas não pode ter certeza.

ninguém pode. um mês, um ano, uma vida, um dia. você pode amar muito, mas não pode amar por dois. afinal, querer não é poder, não é mesmo?

toda bondade será recompensada

hoje eu quis de qualquer jeito almoçar um belo sanduíche de almôndegas no subway. como não queria trocar mais do meu dinheiro, levei todos os trocados que consegui juntar. já na lanchonete, enquanto montava, com carinho, minha bela refeição, me dei conta que o lanche com um refrigerante daria 12 reais e 40 centavos. eu tinha exatos 12 reais e 25 centavos. pensei: “peço pra ficar devendo 15 centavos”, mesmo acreditando que não seria possível. se a moça não deixasse, decidi que poderia levar o lanche de volta, pegar mais dinheiro e comprar o bendito refrigerante. concluído meu belo espécime sanduichiário ela me perguntou: “vai comer aqui?” e eu respondi: “depende” dei um sorriso e lancei: “posso ficar te devendo 15 centavos?”. a moça deu uma risada, um sorriso em seguida e disse que eu poderia. completei, então, meu pedido com o refrigerante. tão logo sentei pra comer me ocorreu uma corrente de pensamentos.

pensamentos

“meu, vai dar diferença no caixa. será que ela vai ter que pagar do bolso dela? será que se ela soubesse que me faltava 15 centavos para pedir também o refrigerante, ela teria deixado do mesmo jeito? será que ela ficou chateada? será que ela tem dívidas, outros compromissos? foi muito legal da parte dela ter me deixado ficar devendo. eu vou pagar de volta. vou avisar e volto depois pra trazer. não, não vou avisar e vou fazer uma surpresa. será que se eu ficar de voltar, vou realmente voltar? já sei. muitas pessoas ficaram com vontade de subway hoje, de tanto que falei. quando alguém vier aqui eu mando o dinheiro pra ela. mas só 15 centavos? vou mandar 1 real logo. mas como vão saber que é ela? vou perguntar o nome dela na saída. mas e se já não for expediente dela? vou colocar em um envelope com o nome dela. e vou escrever uma mensagem. “toda bondade deve ser recompensada”. ou melhor, “toda bondade será recompensada”, assim fica como uma certeza. como é num envelope fica melhor uma nota. vou mandar logo 2 reais. e ainda posso escrever a mensagem na nota pra passar pra frente depois. CERTO. envelope com o nome dela, fechado pra ninguém abrir caso tenha que ficar com outro funcionário, com uma nota de 2 reais dentro com a mensagem. ela vai saber que fui eu. talvez, quem sabe…”

terminando de comer, levantei e fui até ela. como quem não quer nada, perguntei o nome. Fran é o nome dela. “tá certo, obrigada, viu Fran?”. saí, passei pela porta, quando algo me chamou atenção, por algum motivo que desconheço. em cima de uma das mesas de fora tinha uma notinha fiscal com 2 moedas em cima. 1 moeda de 10 centavos e 1 moeda de 5 centavos. fiquei pasma, dei risada. peguei as moedas e fui até ela rindo. contei que tinha achado as moedas no valor exato que devia a ela, ela riu e agradeceu. saí de lá andando e rindo, realizada, com uma nova certeza: TODA BONDADE SERÁ RECOMPENSADA.

agora me responda: o universo é ou não é fenomenal?!

a porta dos ventos uivantes da minha sala.

ela está do meu lado.
ou seria ao meu lado?
ou seria com meu lado?
com melado? bolo de baunilha com melado no ar.

ventos uivantes, isso sim.
não. não me diga.
quero saber de tudo.
tintin por timtim.

a porta dos desesperados… quem? a porta da esperança. ança. a porta giratória. a portinha. o porta jóia. a porta dos ventos uivantes da minha sala. nada passa por lá enquanto eu não quiser. nada que eu não queira será uivado. ou cantado. ou assobiado.

um pintor e um pescador um dia se reuniram com os 6 budas dourados do sol poente.
o pintor pintou. o pescador pescou.
os budas riram, se exercitaram, meditaram, trabalharam, cozinharam e tocaram músicas.

The end has no end

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Escrever e coçar, é só começar. Não gosto muito de parar e me obrigar a escrever. Muita gente já me obriga a escrever e muita gente ainda irá, por isso prefiro escrever quando tenho vontade, maaas… o que vai ser do meu blog desse jeito? A vontade de escrever vem na hora que surge o assunto ou acontece o fato, depois de um tempo, as ideias evaporam.

O título desse post já sugere duas coisas: que tenho ouvido muito Strokes ultimamente (saudades) e que o fim não tem fim, rs. As coisas andam em círculos, tudo vai e vem, depois volta. Eu já ouvi muito Strokes a uns anos e agora estou ouvindo de novo. O mundo dá voltas. Pessoas brigam e reconciliam. As árvores crescem, morrem e viram adubo para novas… e as arveres somo nozes.

Estamos sempre aí, fazendo parte da vida de outras pessoas, enquanto elas fazem parte da nossa. Afinal, nenhum homem é uma ilha… Ser ou não ser, eis a questão. Como tomar decisões é difícil, né? Principalmente as que envolvem outras pessoas.

Bom, deixo aqui uma foto minha que gosto muito e que pode nos levar a uma reflexão.

Às vezes, achamos que está tudo bem, tudo em cima, mas na verdade está tudo de ponta cabeça.

E essa era a reflexão, vinda de um reflexo. Cya.